Sentiment Analysis: a nova corrida do ouro da informação digital

Outra frente explorada com o uso destas traquitanas, levemente semânticas, está na produção der sistemas que estreitam a proximidade do veículo com o seu público-alvo. O Los Angeles Times monitorou os fãs do Oscar e The Boston Globe tenta “pescar” o sentimento dos fãs do time de Beisebol da cidade, o Red Sox.

Laboratório de Pesquisa é a chave

Mas essas tecnologias caem do céu? É juntar profissionais (conteúdo e tecnologia) e executar um plano de marketing pré-estabelecido? Basta contratar serviços de especialistas em mídias sociais e tudo estará resolvido? Tirando a primeira alternativa, que é ridícula, as duas seguintes são campeãs no Brasil.

Nadando na cultura que a lógica do mercado não combina com os procedimentos descobertos através de pesquisa científica, empresas de mídia no Brasil vão aprofundando o gap entre o que é elaborado nos EUA, Europa e parte da Ásia, no que tange a produção de conteúdo com adição de tecnologias inteligentes. No próximo artigo, tratarei da temática sobre laboratórios de pesquisa dentro das empresas de mídia.

Cito com exemplo da joint-venture entre mercado e academia o caso do Oscar Senti-meter, ferramenta desenvolvida pelo L.A. Times, a IBM e o Laboratório de Inovação da Annenberg da University of Southern California. A tecnologia analisou opiniões compartilhadas no Twitter sobre a corrida ao Oscar, tendo como meta as categorias de melhor ator, atriz e fotografia. O Senti-meter combinou o alto volume de tweets diários, utilizando tecnologia de reconhecimento de linguagem e inteligência artificial, dando como saída (visualização de dados), o “sentimento” de positivo, negativo e neutro.

Tenho muitas perguntas sobre esses sistemas, principalmente, porque os seus algoritmos não são produzidos em código aberto e disponibilizados para serem verificados. Assim, não como certificar se realmente os resultados demonstrados expressam cientificamente o “sentimento” captado nos tweets.

Esse ponto é extremamente importante no aspecto da democracia, pois nas eleições para presidente do Brasil, dois anos, um grande portal noticioso brasileiro colocou em sua capa uma visualização desse tipo, mencionando o “sentimento” de positivo ou negativo dos dois principais concorrentes. Tentei verificar qual a metodologia e a tecnologia utilizadas navegando pelos links descobri, bem escondido, que a empresa fornecedora de tal dispositivo não se responsabilizava pelos sentimentos ali visualizados.

Como as visualizações de “sentimentos” podem influenciar o pensamento do eleitor em algum momento, acredito que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deveria, nas próximas eleições, ficar atendo e verificar as metodologias e tecnologias de mineração de “sentimentos”, a partir de grande quantidade de dados gerados por redes sociais.

Entretanto, essas complexas tecnologias sinalizam que o gargalo do grande volume de dados gerados pela multidão na conversação em redes sociais pode ser atacado pela joint-venture empresa de mídia e laboratórios de pesquisa, as outras opções não servem nem como estepe remendado.

(*) Walter Lima é pós-doutor Tecnologia e Comunicação. Docente do Programa de Pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo. Membro titular do Núcleo de Ciência Cognitiva da USP.

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